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Saiba mais da tv brasileira....
A TV Brasileira surgiu na década de 50, mais precisamente no dia 3 de Abril de 1950 com uma apresentação de um padre mexicano que cantava. Ele se chamava Frei José Mojica e foi a primeira imagem impressa nos tubos das antigas tvs em preto e branco que estavam no saguão dos Diários Associados que ficava na Rua 7 de Abril, em São Paulo. A transmissão foi feita pela TV Tupi. Os ideais que giravam em torno da televisão no Brasil eram a de um veículo que transmitiria informação, entretenimento e educação. Atualmente parece que a única idéia que sobrou dessa tríade é a do entretenimento, numa programação cada vez mais voltada para o sensacionalismo, violência e comércio, refletidos enormemente no povo brasileiro.
A TV Tupi transmitiria ainda em fase experimental mais um programa, um filme em que Getúlio Vargas fala sobre seu retorno à vida política no dia 10 de setembro. Mas foi só no 18 de setembro de 1950 que a televisão brasileira finalmente nascia. Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, dono dos Diários Associados, cadeia de jornais e emissoras de rádio inaugura a TV Tupi de São Paulo, canal 3, cuja razão social é Rádio e Televisão Difusora. “Está no ar a TV Tupi” foi a primeira frase das transmissões oficiais da televisão no Brasil e foram proferidas por Sônia Maria Dorce, na época uma menina de 5 anos vestida de índia.
No dia 19 de setembro vai ao ar o primeiro telejornal da TV brasileira, o Imagens do Dia. O noticiário, com clara influência do rádio, era apresentado pelo radialista Ribeiro Filho, com texto e reportagem de Rui Rezende.
Os primeiros passos da televisão foram de aprendizagem, tanto técnica quanto artística. Com poucos recursos, os poucos equipamentos eram suficientes para manter a estação no ar e a maior parte dos profissionais trabalhava de acordo com os conhecimentos que haviam adquirido no rádio, cinema ou teatro.
Como o Brasil ainda não fabricava aparelhos de TV, o próprio Chateaubriand importou duzentos televisores e os colocou pela cidade para divulgar a grande novidade. Deu certo e Chateaubriand conseguiu vender 1 ano de espaço publiciário nos programas da TV Tupi.
O caso é que mesmo nessas condições, a TV Tupi se firmou e contribui para a expansão do veículo. Em 1953, já existiam mais quatro emissoras, duas no Rio de Janeiro (RJ) e duas outras em São Paulo (SP). Embora longe de ter encontrado uma linguagem televisiva, São Paulo, nesta ocasião, era considerado o melhor centro produtor. Como os programas eram ao vivo, o improviso virou a marca registrada do início da tv no Brasil.
Mesmo com poucas horas diárias de permanência no ar (em geral, das 18 às 22h), a programação televisiva era bastante diferenciada. Veiculava-se “dramaturgia, musical, humorismo, jornalismo, programas infantis, esportes e variedades”, mas o teleteatro era o gênero feito com maior esmero de produção. Obras nacionais e internacionais eram encenadas com excelente nível de adaptação e interpretação, apesar de os cenários serem mais criativos que ricos e os figurinos serem trazidos de casa pelos próprios atores. Nas encenações de época, alugava-se roupas da Casa Teatral para suas interpretações.
O primeiro programa de teleatro foi “A Vida por um Fio“, adaptação do filme americano “Sorry, Wrong Number“. Era um drama policial onde uma mulher morre estrangulada pelo marido. Contou com direção de Demerval Costa Lima e Cassiano Gabus Mendes e foi estrelado por Lima Duarte, Lia de Aguiar, Walter Forster, Dionísio Azevedo e Yara Lins.
Desde o início da TV, um gênero de programa encarado com extremo cuidado de realização foi o teleteatro. Importantes obras nacionais e estrangeiras foram exibidas com excelente nível de adaptação e interpretação, apesar de os cenários serem mais criativos que ricos e os figurinos serem trazidos de casa pelos próprios atores. Nas encenações de época, alugava-se roupas da Casa Teatral para suas interpretações.
Os musicais, muito populares na época, também começaram a ser produzidos para a TV. Às vezes eram cópias simples de programas de rádio, mas em outros casos eram superproduções para os padrões da TV brasileira. A telenovela, hoje um dos gêneros mais populares no Brasil, era programação constante mas não carregava ainda o apelo popular atual. O humor também teve seu espaço com transmissões circenses e programas de auditório compostos por quadros humorísticos. Os telejornais eram constantes na programação embora as notícias muitas vezes fossem meros recortes dos jornais locais. Os equipamentos de televisão, muito grandes e pesados, não permitiam a agilidade de coberturas diárias que um telejornal necessita. Utilizavam-se os equipamentos de TV em reportagens externas apenas para a transmissão de esportes.
No ano de 1951 a publicidade a TV brasileira começa a ser utilizada profissionalmente para a publicidade. As agências de publicidade americanas McCann Erikson e a J. W. Thompson com sede no Brasil trouxeram o modelo publicitário da TV americana. Nos primeiros anos, os patrocinadores escolhiam os programas que seriam produzidos e veiculados, além de contratar diretamente os artistas e produtores. Na época, já havia mais de 7 mil aparelhos de televisão entre São Paulo e Rio de Janeiro. Em 1954 foi criado o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa), que fornecia para as agências de publicidade os números da audiência da TV. As agências intensificaram as pesquisas de opinião para conhecer os hábitos de consumo do telespectador e qual seria o melhor horário para veicular seus produtos.
Na base do erro e acerto, a experiência televisiva brasileira ia melhorando. No fim da década de 50 outras emissoras de TV já tinham sido inauguradas em outras capitais brasileiras. O número de telespectadores crescia, muito em detrimento do “boom” da indústria eletrônica que permitia a compra de aparelhos de TV por preços menores. Contudo, as programações ainda tinham caráter local por causa do curto alcance das transmissões. As únicas experiências de maior alcance se davam entre cidades, como Rio e São Paulo, mas eram esporádicas devido ao grande esforço que requeriam.
Ao final da década de 50, o dado mais relevante da TV no Brasil foi o início da veiculação de seriados norte-americanos e a introdução do vídeo-tape, processo de gravação de som e imagem em fita magnética. Os testes começaram em 1957 e a implantação do sistema ocorreu em 1960. Esse processo de gravação gerou uma grande revolução no meio televisivo. Ele permitiu que as fitas dos programas fossem copiadas e enviadas para outros centros televisivos brasileiros, iniciando a fase de industrialização do programa de televisão e propiciando a inauguração de mais 27 emissoras pelo país. São Paulo e Rio de Janeiro polarizaram a TV brasileira como grandes centros de produção. Cerca de 80% dos programas gravados das emissoras paulistas e cariocas eram enviadas para outras emissoras pelo país.
Os avanços tecnológicos transformaram a TV no mais importante veículo de comunicação do Brasi durante a década de 60. Programas de auditório e telenovelas finalmente entraram no cotidiano dos telespectadores, sedimentando a influência da TV nos lares brasileiros. Heitor de Andrade, Aurélio Campos, Airton Rodrigues na TV Tupi, Vicente Leporace, Blota Jr. na TV Record, Bibi Ferreira na Tv Excelsior e outros trouxeram a idéia da presença de público dos programas de rádio para os auditórios dos estúdios de TV.
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